Capoeira presente no Encontro Ibero Americano dos Afrodescendentes

Mestre Paulão, Jairo Junior, Edson França, da UNEGRO e Cristina de Niterói

De 16 a 19 de novembro, aconteceu na cidade de Salvador, na Bahia, o Encontro Ibero Americano do Ano Internacional dos Afrodescendentes.

Para a sociedade civil brasileira, a preparação deste encontro se deu na Reunião Preparatória do Movimento Negro para o Encontro Ibero Americano do Ano Internacional dos Afrodescendentes, realizada nos dias 15 e 16 de outubro de 2011, no Instituto Israel Pinheiro, em Brasília. Este encontro foi convocado conjuntamente pelo Conselho Nacional de Promoção da Igualdade racial (CNPIR), por meio do Grupo de Trabalho Instituído para esse fim e pela Secretaria de Políticas de Promoção da Igualdade Racial (SEPPIR).

Na ocasião, com a presença de representações de 38 entidades e organizações do movimento negro, num total de 66 participantes, aprovou-se as contribuições das representações da sociedade civil brasileira presentes à reunião, à Carta dos Afrodescendentes Iberoamericanos e os critérios para a escolha das representações das organizações da sociedade civil negra para o Encontro.

Nós, representantes da Capoeira, demos nossas contribuições para todo este processo, culminando com a nossa participação no evento de Salvador.

Sobre o Ano Internacional dos Afrodescendentes

Mestre Paulão e Mãe Olga de Oxum

Mestre Paulão e Mãe Olga de Oxum

A  Assembléia Geral das Nações Unidas (ONU), ao eleger 2011 como o “Ano Internacional das e dos Afrodescendentes”, dez anos após a III Conferência Mundial de Combate ao Racismo, à Discriminação Racial, à Xenofobia e a Intolerâncias Correlatas, ocorrida em Durban, a ONU reafirmou o seu compromisso com a superação do racismo, da discriminação e das desigualdades raciais em escala mundial.

Segundo a ONU, ao reproduzirem a desumanização do ser negro, essas práticas sociais contrariam o reconhecimento dos direitos humanos de todos os povos e atuam como obstáculos poderosos ao comprometerem o desenvolvimento social e econômico em diferentes países.

Afro XXI – Encontro Ibero Americano do Ano Internacional dos Afrodescendentes

Com a participação de mais de 20 países da América Latina e Caribe, Europa e  África, o Encontro Ibero Americano dos Afrodescendentes discutiu, em suas diversas mesas de debates, os direitos dos afrodescendentes. Juventude, mulher negra, religiões de matriz africana, educação, cultura, saúde da população negra e a visibilidade dos (as) negros (as) na mídia foram alguns dos temas abordados.

Carta de Salvador

Dentre as propostas aprovadas no encontro está a da criação de um fundo internacional voltado a financiar ações complementares das políticas públicas de reparação. Contida na Carta de Salvador, documento que sintetiza os debates realizados pelas entidades da sociedade civil organizada durante o Afro XXI, o texto foi entregue a Enrique Iglesias, que comanda a Secretaria Geral Ibero Americana (SEGIB), entidade que propôs a realização do encontro.

Segundo Epsy Campbell, militante do movimento de mulheres negras da Costa Rica e escolhida a representante do fórum de entidades na reunião dos chefes de Estado, “esse fundo deve garantir uma resposta às necessidades, não para substituir as responsabilidades dos governos, mas para complementá-la e reforçá-la”.

Capoeira esteve presente

Mestres Paulão e Souza (Kikongo), no Pelourinho

Na qualidade de representantes do Congresso Nacional de Capoeira – CNC, eu e Jairo Junior estivemos participando ativamente de todos os debates, contribuindo na elaboração dos diversos documentos ali produzidos, inclusive no mais importante deles, que foi a Carta de Salvador.

Na ocasião, participamos, ainda, como representante de uma das 25 instituições que foram participar no sábado, 19 de novembro, da reunião dos chefes de estado.

Uma das coisas que deixamos evidente em nossa participação em Salvador foi o apoio irrestrito da Capoeira na permanência da SEPPIR como Ministério e da alocação de maiores recursos para que ela possa desenvolver melhor o seu trabalho junto aos/as afrodescendentes.

Começamos, ainda, uma articulação para que a Capoeira tenha uma representação efetiva no Conselho Nacional de Promoção da Igualdade Racial (CNPIR), por acreditarmos ser a Capoeira uma ferramenta importante no combate à todas as formas de discriminações e ao racismo.

Estivemos presentes, também, no lançamento, pela ONU, do relatório sobre a Juventude Afrodescendente na América Latina. Segundo dados das Nações Unidas, a juventude afrodescendente representa, na América Latina, mais de 24 milhões de pessoas, de um total estimado em mais de 81 milhões de afrodescendentes. O Brasil, segundo os dados do Censo de 2000, é o país com maior população de jovens afrodescendentes: são mais de 22,5 milhões ou 47,3% do total de jovens do país. Com o intuito de contribuir para o debate sobre a superação das desigualdades relacionadas aos/as nossos (as) jovens que o Fundo de População das Nações Unidas, UNPA, lançou o Relatório “Juventude Afrodescendente na América Latina: realidades diversas e direitos (des) cumpridos.

Mestre Paulão

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